4 de novembro de 2015

Você é tão feliz quanto seu Instagram?



       Ontem uma notícia foi repetidamente compartilhada no feed do meu Facebook: sobre a decisão da instamodel Essena O'Neill de deixar de usar suas redes sociais com mais de 600 mil seguidores (inclusive, pelas quais ela se sustentava) e ainda editar os textos que acompanhavam suas imagens no Instagram, revelando a verdade que estava por trás de cada uma delas (entre publieditoriais não sinalizados e fotos exaustivamente editadas).
        O intuito da australiana de 18 anos é questionar a influência das mídias sociais em nossas vidas, e o quão essa realidade é manipulável e pouco digna de credibilidade. Acho o assunto extremamente relevante, e resolvi falar um pouquinho do que penso por aqui.


    Na verdade tal questionamento se encontra quase que diariamente no meu dia a dia. Afinal, ser blogueira atualmente, independente sobre o que você escreva, geralmente vem acompanhada do trabalho na sua auto-imagem (principalmente entre os blogs de Moda) - é quase impossível não aparecer.
         E para ser muito sincera: Nem precisa trabalhar com isso para se tornar refém das mídias. Basta ter uma conta no Instagram e você tem todo um mundo para criar dentro da tela do seu celular.
         A questão era para ser mais óbvia do que é, mas acho que é extremamente válido excplicitar aqui: o instagram é um espaço onde as pessoas mostram única e exclusivamente o seu melhor lado. Neste contexto, você tira milhares de fotos, seleciona seu melhor ângulo, edita, adiciona filtros em vários aplicativos e só então tal imagem é digna de aparecer no seu feed. E não se sinta culpada, eu me incluo neste contexto. 

          O problema é como certos valores se distorcem neste contexto. Parecer se tornou mais importante do que ser. Você não necessariamente tem que gostar de Beatles para colocar aquela citação em uma legenda de foto (quantas vezes vemos isso diariamente?), e você não necessariamente precisa ser adepta a um estilo de vida saudável para parecer que é: fotografe um suco verde, adicione a hashtag #fitness e pronto! Você é quase uma Pugliesi.
         E no final do dia: o que aquela montagem acrescentou na sua vida? Você se sentiu verdadeiramente mais amada por causa do seu número de likes? Houve alguma mudança verdadeira na sua vida? No começo isso pode não incomodar. Mas acredito que esse hábito de mendigar aprovação, a longo prazo, não pode trazer nenhum benefício para a sua vida nem para  a sua auto-estima. 


       E ainda acabamos caindo em algumas armadilhas de um sistema que já conhecemos bem, mas que ainda assim é extremamente enganoso. Quem nunca teve aquela síndrome de que a grama do vizinho é mais verde que a sua? Acredito que todas as gerações sentem isso em algum momento, mas para os atuais adeptos das redes sociais (principalmente os jovens), tal síndrome vem com mais intensidade.
       Você sabe que as pessoas manipulam imagens, jogam filtros, selecionam, mas ainda assim, dependendo do seu estado de espírito você sente certo desconforto ao navegar pelo seu feed no Facebook? Vê aquele casal de namorados feliz, vê aquela menina fazendo uma viagem incrível, aquela outra se divertindo com as amigas no fim de semana. Por alguns momentos você não se toca que tudo aquilo foi posado, editado com o melhor ângulo, com o melhor filtro, em um momento bom (ou não). Afinal, nós esquecemos que (felizmente) registramos somente momentos bons. Ou você pensa em se fotografar quando você está no pior momento do seu dia?



     E não me entendam mal: eu adoro mídias sociais. Adoro compartilhar momentos, experiências e por isso é um prazer ter tais mídias como uma extensão do meu trabalho. Mas eu não tenho a ilusão de que aquilo é minha vida real, e nem perco meu tempo simulando uma situação exclusivamente para meu Instagram. Tenho consciência que alí registro meus melhores momentos, sendo eles grandes ou pequenos. E só. E isso não tem o menor problema, desde que vocês saibam que existe toda uma vida atrás daqueles registros. Quer um exemplo? Esta simples foto de um sorbet. Pode não parecer, mas eu trabalhei o dia inteiro e estava exausta. Depois do trabalho resolvi comprar meu sorbet preferido em uma gelateria charmosa de BH e relaxar. Click, fiz cerca de 15 fotos, coloquei um filtro e postei no Instagram. Foi um momento delicioso, mas meu dia não se resumiu a ele, entende?

    Já conversei com muita gente, leitores, colegas, que se surpreendem quando se dão conta que eu ando de cara lavada, pego ônibus, discuto com meu namorado (desculpa amor hahaha), luto contra a balança como qualquer outra mulher... só porque aquilo não aparece nas minhas redes sociais. Adivinha: o que vocês veêm nas redes sociais, não só nas minhas, mas nas de seus amigos, e inclusive nas suas são momentos, que provavelmente foram cuidadosamente editados. Não se iluda pensando que a vida daquela pessoa se resume a aquele feed. Porque por experiência própria você deveria saber que não. 

  Ao contrário do que já escutei muita gente dizendo, minha vida está longe de ser perfeita. Estudo e trabalho como grande parte da população, com a diferença que eu amo o que faço. O que também não quer dizer que eu não tenha dias que eu quero jogar tudo para o alto, que eu choro e que em alguns momentos eu não faça a mínima ideia do que fazer da minha vida. Sou uma pessoa comum, cheia de inseguranças e dúvidas, e que como todo mundo, uma hora coloca a cabeça no lugar e vive a vida da melhor forma que sabe. 


        

    Com este texto que escrevi, e com as imagens e quotes de Essena O'Neill, meu objetivo é te dizer o seguinte: Não resuma as pessoas ao seus posts no Instagram. E não se sinta mal se sob essa perspectiva a vida delas parecer mais interessante que a sua. Tenha consciência que aquele é um momento que foi registrado em alguns segundos, que pode ter sido facilmente manipulado e não resume toda a vida dela. 
    E outra, não perca seu tempo tentando parecer algo que você não é. As mídias sociais podem ser enganosas, mas no final do dia seu esforço não vai te acrescentar em absolutamente nada, muito menos te fazer feliz. Perca tempo fazendo planos, realizando metas, tentando ser uma pessoa genuinamente mais interessante. Faça seus dias melhores fora das câmeras. Aprenda que as coisas boas não tem que necessariamente ser registradas e compartilhadas. E que a vida é bem mais do que seu número de followers. 


     Achei que esta era uma discussão relevante para se fazer. Gostaria de ouvir a opinião de vocês sobre o assunto! Comentem aqui ou via e-mail contato@belserelle.com :) Vou adorar debater mais sobre a influência das mídias sociais!

       Para quem quiser conferir mais sobre outros questionamentos que Essena O'Neill está levantando é só acessar o seu novo site www.letsbegamechangers.com . Vale o click!

        

2 comentários:

  1. Ai Bel, super concordo! A grande verdade é que as mídias sociais são muito novas, acho que ainda estamos aprendendo a lidar com elas (com o tempo que passamos nelas, as impressões que tiramos delas e o que queremos mostrar).
    Acho super válido esse tipo de exemplo pra dar uma "acordada" na galera que acha perfeita a vida de pessoas famosas. Que, aos poucos, possamos filtrar melhor as informações que realmente nos interessam nessas mídias e aproveitá-las bem porque são fanáticas!

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  2. Amei muito esse texto! Ele é inspirador e nos faz querer refletir demais sobre esse assunto, se estamos nos mostrando como realmente somos nas redes sociais e etc...Perfeito <3

    Beijos, Bárbara | Oh Well

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