10 de julho de 2014

Carreira vs. Felicidade


        Desde muito nova eu sempre disse que ia cursar direito. Não sei bem como eu me fixei tanto a essa ideia, mas creio que pelo fato de eu gostar muito de ler (já ouviram o dito "se gostar de ler tem que fazer direito"? Ouvi até! hahaha), ou pelo fato de muita gente na família ter feito concurso público. Direito sempre me pareceu a opção mais segura, estável, e que mesmo que inconscientemente eu sabia que não só minha família, mas as pessoas em geral, aceitam e até admiram tal escolha.
      
 O amor pela moda veio depois, aos 15 anos, quando comecei a escrever meu antigo blog e por consequência a trabalhar neste universo. Mas sempre encarei isso como um hobby, sabe? Algo que eu sempre fiz com muito prazer. 
        A primeira vez que eu questionei o que eu ia fazer da vida, foi durante uma aula no segundo ano do ensino médio, época que aquele papo sobre vestibular já começa. Lembro que a professora fez uma pergunta que eu batuquei durante muito tempo: "Quando vocês começarem a trabalhar. Pela manhã, que roupas vocês se imaginam vestindo?". Tendo uma relação tão intima com a moda, a ideia de levantar e vestir um terninho todos os dias, e dirigir para um escritório me pareceu incoerente com tudo que eu desejava viver. Pode parecer bobo, mas a partir daí comecei a pensar sobre o curso de direito, sobre o trabalho que viria em seguida, sobre todos os dias que viriam e eu não consegui enxergar alegria naquilo.
        Depois, acho que até como uma forma de me acalmar, passei a pensar que nem todo profissional necessariamente usa seu diploma. Quantos estilistas e empresários são formados em outras áreas? Hoje eu enxergo que foi a forma que eu consegui conciliar a execução do curso que todos queriam que eu fizesse com o que eu gostaria de realizar no futuro, pela minha própria satisfação.


        Acabei terminando o ensino médio nos Estados Unidos (como vocês já cansaram de saber), o que foi essencial para meu amadurecimento mesmo, nesse período cresci mais do que em qualquer época da minha vida. E na volta ao Brasil, na hora de me inscrever para o vestibular, optei por Moda.
        E depois fiquei pensando, no porque eu demorei tanto para optar pelo que eu mais amava, porque sempre foi muito claro como esse meio me faz feliz. Não era para ser uma escolha óbvia, fácil?
        A verdade é que nós ficamos a vida inteira tentando agradar as pessoas a nossa volta. Acho que no fundo eu achava que Direito tinha determinado status, o que no final é uma grande bobagem. Porque vamos ser francos, hoje em dia não existe um curso que te dê completa estabilidade ou certeza que vai dar certo. Depende da gente, da nossa garra, da nossa vontade, ações que acabam sendo naturais quando fazemos o que gostamos.
        E olha, ainda hoje tenho que conviver com muito preconceito. Quando entrei para o curso meus pais me deram total apoio, mas tive que escutar de outros familiares se "moda era um curso que dá futuro". E juro, respondo com frequência se meu curso é de graduação por exemplo (hahaha sério).  São situações que são chatinhas mas que não são nada perto da satisfação pela qual eu vou na aula todos os dias. Mesmo quando tenho que trabalhar o dia inteiro. Trabalho é trabalho, e trabalhar com moda não tem 1/4 do glamour que as pessoas esperam. É ralação, as vezes dá vontade de chutar o balde, mas o resultado final é sempre gratificante.

       Acho que a mensagem final é: Faça o que você ama! Independente do que a sociedade diz que dá dinheiro, ou o que é ou não um "trabalho de verdade". Acredito o sucesso está mais ligado à satisfação pessoal do que as pessoas imaginam. Saia dos padrões, ou permaneça neles, desde que essa escolha te faça verdadeiramente feliz.
       Sem querer ser egocêntrica, mas me considero uma pessoa de sorte. Primeiramente por ter encontrado algo que eu amo profundamente (porque acho até que a maioria das pessoas nunca encontram algo que elas amem fazer), e por ter tido coragem de ter corrido atrás disso. Não vou mentir: as vezes perco o sono pensando no que eu quero fazer, se é ser estilista, se é trabalhar na área de comunicação de moda, quais cursos extras posso adicionar ao currículo, estágio... porque nada na vida é ganho, e crescer dá muito medo. Mas a conclusão sempre é a mesma: que independente do que eu fizer, vou fazer com o coração.

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